As Crónicas de Nárnia

Da mesma forma que C.S. Lewis foi influenciado pelo seu amigo J.R.R. Tolkien, também Andrew Adamson (“Shrek”) tem de agradecer ao seu conterrâneo neo-zelandês Peter Jackson pelas possibilidades que este abriu no mundo do cinema fantástico. Mas, só para clarificar, estamos longe de um resultado comparável à genialidade do “Senhor dos Anéis”.

“The Lion, the Witch and the Wardrobe” é o primeiro dos sete volumes que compõem as crónicas de Narnia, escritos entre 1950 e 1956. Quem sabe este seja o primeiro filme de uma nova saga.

A história tem lugar em Inglaterra durante o bombardeio de Londres pelas tropas alemãs na Segunda Guerra Mundial. Quatro crianças são evacuadas para o campo, para casa de um excêntrico professor (Jim Broadbent). Peter (William Moseley), o mais velho, tenta ser o homem da família; Edmund (Skandar Keynes) é o ressentido e rebelde; Susan (Anna Popplewell), a mandona e intelectual; e Lucy (Georgie Henley), a mais nova, a inocente, curiosa e decidida.

É ela que, durante um jogo de Escondidas, descobre um guarda-roupa que é a porta de entrada para o mundo místico de Narnia, uma terra escravizada durante 100 anos pela terrível Bruxa Branca (Tilda Swinton), algo entre o Darth Vader e a Cruella De Vil. Aí, Lucy conhece Mr. Tumnus (James McAvoy), um fauno, e uma das muitas criaturas fantásticas que habitam Narnia.

Lucy tem dificuldade em convencer os irmãos da existência de Narnia, mas também eles acabarão por dar entrada nesta fantasia, e ver-se-ão como protagonistas da profecia que indica que dois filhos de Adão e duas filhas de Eva virão libertar Narnia. Nesta luta, serão liderados por Aslan, um leão justo e sábio (na calma voz de Liam Neeson), que é na verdade o verdadeiro rei de Narnia (hmmm… O Regresso do Rei?).

Esta aventura é absorvente, divertida e emocionante, beneficiando de uma heroína que não podia ser mais natural e adorável – Henley (10 anos) – e de uma vilã tão sedutora, maquiavélica e fria como Swinton.

A Disney foi buscar Adamson à Dreamworks e as criações em CGI (Common Gateway Interface) evidenciam a sua mestria no visual fantástico, desde os faunos, aos centauros, passando pelos castores e terminando na beleza do leão Aslan. Já para não falar dos cenários e das cenas de batalha. Infelizmente, as personagens reais surgem praticamente unidimensionais, apesar de o filme as ir desenvolvendo pouco a pouco.

No meio de todo o entretenimento das batalhas épicas, animais falantes, e da magia, reside uma mensagem sobre a família, a confiança, a fé, e a típica luta do bem contra o mal. Com efeito, a alegoria cristã da obra de C.S. Lewis, apesar de ser ténue nesta adaptação, é ainda evidente em aspectos como a profecia, o salvador, o traidor, o sacrifício, a redenção através da luta pela fé. Mas, tranquilizem-se os cépticos, a religião não impede de nenhum modo o divertimento.

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